quinta-feira, dezembro 15, 2005

Fico aqui imaginando como será uma das tantas despedidas da turma do guetto, até nosso embarque para a espanha. O que se segue é um relato fictício, do que provavelmente venha a ser uma dessas tantas despedidas...

Estávamos no Guarujá, sexta-feira, no mesmo bar de sempre – alguns meses antes de embarcar para a Espanha, sem gravatas, pernas sobre a mesa, garrafas vazias por todo lado. Como quem diz “chega, missão cumprida” –, podemos estar no ano de 2006, mas sentamo-nos na mesma mesa, entre as mesmas pessoas, falando sobre os mesmos assuntos (como de fato sempre fizemos).

Poesia, política, história, filosofia, trabalho e, é claro (perdoem-me as “esposas”) mulheres...
Entre um copo e outro, como em um clássico do Barça, no calor da conversa a coisa era mais ou menos assim:

Eu, o mais novo, roubava a bola, dava um pique até a linha de fundo e cruzava para a área, onde um dos nossos atacantes esperava pelo lance que nos garantisse o “gol”:

Um trocadilho (como a eterna sátira ao Lesado), um poema, uma frase de efeito que fosse.

Memoráveis tabelinhas entre Xavequini e Bode garantiam o sucesso da equipe – quando não cismávamos de discutir ou brigar entre nós, por razões existenciais e etílicas de menor interesse, como a eterna discussão de se o Senhor dos Anéis era a melhor adaptação de obra literária para o cinema ou não.


Em geral, prevalecia o critério da amizade cuidadosa: não pise nos meus calos que eu não piso nos seus. O que era bem mais lucrativo para todos (e para o dono do Quintino também, lógico), salvo quando o anão estava presente, porque ai a gozação era geral...

Naquela sexta falávamos de um tema muito importante para o “entrosamento do time”:

As relações criativas e/ou degenerativas entre nossas brilhantes teses e idéias com o alcoolismo... Eu, que nunca simpatizei com o estereótipo do “boêmio” (yeah right), aproveitei para relembrar meia dúzia de idéias, inclusive a da viagem, que cujo sucesso e breve execução associei mais ao personagem que encarnamos na bebedeira do que à idéia propriamente dita...

As teorias e devaneios sobre a quarta dimensão do Bode foram meu alvo predileto:

Se Trocássemos o ambiente da varanda de sua casa, onde dividíamos o espaço com as latas de cerveja, por uma sala de aula e xícaras de chá, diríamos que seus “ensinos” eram mal construídos, infantis, sem fundamento e daí para baixo.

Ora, qual não foi minha surpresa, nesse mesmo dia ao ouvir mais uma de suas teorias mirabolantes, em que prendera a atenção até do ERVILHA, que até arriscou alguns palpites.

Risadas gerais, Chitão então alisa o seu balzaquiano bigode, e como de costume diz:
-SEeeMPRE.
E entorna um quarto da sua caipirinha, fiel escudeira do seu copo de cerveja, antes de mudarmos o rumo da prosa e nos despedirmos por mais uma vez.

Foi uma das últimas vezes em que nos vimos antes de embarcar – o que me dava mais um motivo para alimentar pessoal simpatia pela turma do guetto e seu “confessionalismo” bebum.

ao som de meus pensamentos e um telefone intrometido, que cisma em interromper meu brainstorm...

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindooo
saiba q alguem le esta pagina e gosta mtu...
bjaooo
ate algum dia...