sexta-feira, julho 22, 2005

Reflexões de fim de tarde...

Já fui chamado de diversas coisas, entre elas de cínico, metido, sonso, maquiavélico, mas sempre por pessoas que não são do meu convívio, e portanto não me conhecem a ponto de tecer um comentário que efetivamente venha me agredir...

No entanto, outro dia fui “acusado” de ser um cara: FECHADO, distante.

Admito que não sou o cara mais sociável do mundo, nem tampouco demonstro de pronto o que se passa comigo, mas de forma alguma me escondo atrás de algo, a fim de não me expor.

Como prova, vou tentar explicar os meus “motivos” para tal comportamento. Aproveito essa tarde tranquila no escritório, distante de tudo e todos, procurando o sossego perfeito – D2 que me perdoe pelo trocadilho!

Acredito que quando gostamos de alguém ou alguma coisa, nossa tendência natural é a de nos aproximarmos cada vez mais desse objeto... Sempre mais um pouquinho, não é mesmo? Pois bem, esse movimento de aproximação é natural, espontâneo e esperado.

Mas, já prestou atenção ao que acontece quando nos aproximamos?
Faça a experiência aí: olhe para um objeto qualquer, uma caneta, por exemplo. Vá se aproximando dela. Vá trazendo cada vez para mais perto dos olhos...

O que acontece?

Você, no começo, enxerga a caneta inteira e sempre um pouco melhor, mas, a partir de um determinado momento, começa a não enxergar mais o que estava em volta da caneta, só ela, depois nem a vê mais em seu todo, começa a enxergá-la em parte, e essa parte que você vê é cada vez menor, até que vira um borrão que você não compreende e, se continuar a aproximar, machuca a vista, podendo até cegar.


Pois então. Quando nos aproximamos de um objeto qualquer, a partir de determinado momento começamos a perder a visão do todo e, quando não houver mais distanciamento crítico, nem o reconhecemos mais.

Para enxergar corretamente um objeto, precisamos respeitar essa distância mínima necessária. Mesmo que o objeto seja a pessoa amada ou nosso trabalho.

Por isso, em nossas vidas, como tendemos a nos aproximar demais de tudo o que nos diz respeito, acabamos por perder o distanciamento crítico e começar a fazer bobagens, a imaginar que nos misturamos a esses objetos cujos limites não enxergamos mais, a ponto de confundirmos nossa própria identidade com a identidade do objeto, complicando demais, criando problemas e nos afastando das soluções possíveis.

Quem está distante, além de nos ver tropeçando em nossos objetos, ainda enxerga à volta nosso ambiente, e percebe o quanto nossa confusão perturba, o quanto o transformamos num circo ou num hospício, que teimamos em chamar de cotidiano!

Tropeçamos em nossos objetos por horas, dias, meses a fio, a vida inteira e, quando vemos, somos enterrados com nossos problemas e complicações: apenas objetos dos quais nos aproximamos além do distanciamento crítico e com os quais nos misturamos tanto que perdemos a percepção dos limites de nossas próprias individualidades.

Passamos do ponto e começamos a não analisar mais a pessoa, o problema, o emprego, a coisa, mas sim a julgá-los como partes de nós mesmos, e isso não faz o menor sentido para quem está distante. Aí enlouquecemos em nosso “cotidiano”. Normais e insanos, tanto faz.

Portanto, a melhor coisa da vida é manter distância suficiente para não haver fusão, contaminação ou confusão entre nós e todos os objetos que nos interessam.

Como dizem os budistas: exercitar o desapego para conhecer a Verdade e a Felicidade; tomar distância para eliminar a Ilusão e o Sofrimento.

É isso aí, ou quase...

Deixe-me ir que já passou da hora de ir embora...

# Sacred Heart – Richard Schulman #

quinta-feira, julho 21, 2005

Sentença digna de ser apreciada.

Decisão proferida pelo juiz Rafael Gonçalves de Paula nos autos nº 124/03 - 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas/TO:

DECISÃO:
Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.

Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional),...

Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém.

Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário.

Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia,....

Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra - e aí, cadê a Justiça nesse mundo?

Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade.

Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir.

Simplesmente mandarei soltar os indiciados.
Quem quiser que escolha o motivo.

Expeçam-se os alvarás.
Intimem-se
Palmas - TO, 05 de setembro de 2003.
Rafael Gonçalves de Paula


# Bob Marley & The Wailers - No Woman, No Cry #

terça-feira, julho 19, 2005

...

Frase do dia essa do ORKUT:

"Today's fortune:
Stop searching forever, happiness is just next to you"












haha

Tudo de bom...

# What Am I Too You - Norah Jones #

quinta-feira, julho 14, 2005


Vandria's Party!! 25/06/05 Posted by Picasa

Tédio, cansaço, crise existencial??? Welcome to the Club...

Acho que desiludido seria um bom adjetivo para classificar o meu humor atualmente...

Bleah...

Perdendo um pouco do meu tempo, passei um tempo relendo coisas antigas e viajando por outras a ser escritas...
Ultimamente não ando produzindo nada de bom, afirmo isso de forma categórica, seja para consumo próprio, ou para divulgação no bloga e demais cantos...
Só nessa semana foram tantos textos escritos e re-escritos, jogados ao vento, deixados de lado ou simplesmente deletados, que já perdi a conta.
No final, todos eles tiveram o mesmo destino; Trash...

Uns muito piegas, outros sem conteúdo ou de difícil compreensão, tudo começa a fazer sentido agora, o “macaquinho” que me soprava idéias deve ter ido habitar outro lugar, que não a minha mente, atrás de pessoas com um texto coerente.

O que é irônico: É que nada impede, que esse mesmo texto venha a ter o mesmo destino dos anteriores...

Será uma questão de sorte?

Acho que não!

Uns reclamam para os outros de falta de sorte, disso e daquilo, mas não me atenho a isso. Afinal, nas palavras de um amigo: “sorte é um misto de oportunidade e competência”. E como não dou muito espaço para nada novo, e ando sem me dedicar a muita coisa. Não me resta reclamar de muita coisa, senão para mim mesmo.

Bah... O que me fez acabar postando esse texto definitivamente?!?

Pra ser sincero, não acredito que foi o conteúdo, ou se o “bolinho” que a Dri veio trazer aqui pra mim...
Mas na real, acho que foi mesmo pra testar o novo contador!! Hahaha


Time to go home.
Starting to Feel Strangely Fine...

# Norah Jones - Come Away With Me #

segunda-feira, julho 11, 2005

Monday Monday...

Dessa vez tudo mais tranqüilo, quem viu esse escritório Segunda-Feira passada não acredita no que vê hoje – Thank God!

Já estava começando a pirar na batatinha, tudo bem que eu nunca fui lá muito "normal", mas de uns tempos pra cá me deteriorei um pouco.

Hoje percebo que me atrapalho com as coisas mais simples, e em contrapartida passo o dia a resolver questões mirabolantes, de um grau de complexidade que nem sempre me acho a altura. Bem por isso, esse é um dos grandes temas de discussões com a minha mãe; a "carga" que sempre foi jogada em cima de mim.
Acho que desde os meus 14 quatorze anos, sou submetido a uma gama de informações e de "encargos", que nenhum adolescente normal tem maturidade e vivência para lidar.

Penso que hoje as minhas "noias" (que não são poucas), são fruto disso.

Não que eu esteja aqui tentando justificar de alguma forma, o meu jeito, pode se dizer: politicamente incorreto – É só mais uma etapa no processo de desbravamento do que realmente vem a ser essa figura de "incalculável" importância em minha vida, EU.

Por falar em mim, ontem eu topei passar por cima de algumas noias, e depois de um tempo fazer um programa estilo "namoradinho" – Naquele estilo, Cineminha, No strings attached...

Deu pra perceber quatro coisas:

1º - Eu definitivamente odeio, bem como, não tenho noção alguma para dirigir – Pra quem me conhece não é nenhuma Novidade!! Haha

2º- Esse filme novo do Spielberg (como eu já suspeitava), é um lixo – Alienígenas saindo da terra e explodindo tudo, bem ao estilo "Marte Ataca"!! Bleah...

3º- Por incrível que pareça, estou me acostumando com a idéia de ter alguém pra quem contar meu dia, falar sobre o nada, enfim, criar intimidade – As circunstâncias não são as melhores e não está sendo nada fácil admito, mas com muita "graça" e paciência, ela tem me ajudado a passar pelas barreiras. Barreiras essas impostas, por ninguém menos que a cuca do garotão aqui.

4º - Meu pai não vai parar de me zoar tão cedo, com a história do Pão de Santo Antônio.

Para quem não sabe, existe uma lenda sobre o Pão de Santo Antônio, que quem comer uma fatia do pão "abençoado", acaba se casando em pouco tempo. E eu, cheguei da faculdade um dia desses e vi o tal pão sobre a mesa. Meus pais como bons católicos haviam ido a missa e trouxeram para casa uma certa quantidade do pão, para distribuir entre os familiares.
Desavisado do jeito que sou, não me dei conta da embalagem e textura do pão diferente, e comi uns DOIS.
A partir daí as brincadeiras começaram. Quando ele se deu conta que estou me "dedicando" a uma só garota, não passa mais um dia, sem fazer menção ao fato e profetizar sobre um suposto casamento - Deus dai-me paciência... Hahaha

Definitivamente precisamos ser estudados...

Eu me habilito e você???

# Crying Shame - J.J. #

sexta-feira, julho 08, 2005

Two Days Without My Mobile... And Loving It!! Hahaha

Estou a dois* dias sem meu celular, e até então não tenho do que reclamar - Talvez hoje, sexta-feira eu mude minha opinião...

Abaixo transcrevo o texto que mencionei no post anterior.
Sei que já passei da idade e não tenho paciência, de ficar colocando letras de músicas, poesias e afins no "diarinho", mas a presença e a atualidade desse texto me obrigaram a abrir uma exceção.

Por não estarem distraídos

Clarice Lispector

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.

Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.

Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.

Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.

No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.

Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.

Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

# rúídos de fome #

quarta-feira, julho 06, 2005

O “semaninha” conturbada essa...

O mês de julho já começou daquele jeito:

Formatura do Gugu no dia 2, Ressaca monstro (da formatura do gugu) dia 3, prova de Administrativo no dia 4, seguida de "festinha" aqui no Guaru, Ressaquinha de leve dia 5 de manhã, telefone tocando, credores a vista, funcionários de férias, ida ao fórum, corrida ao banco, "scotch" com mamãe e Pablo no final de tarde pra tentar me distrair – Thank god nem rolou ressaquinha hoje, dia 6.

E por falar em distrair, li alguma coisa de Clarice Lispector (Transcrevo aqui num post qualquer, um dia desses), que falava justamente na "importância" de estar distraído...

Pausa Para Rodar um chequinho... Bleah

Voltando – onde estava mesmo???
Ah lembrei. Tentando ficar distraído!

O momento e as circunstâncias não são as mais propícias, mas preciso disso, não to afim de ficar tenso hoje – de novo.

Quero ficar longe disso tudo, dessa correria, parar para pensar, lembrar da formatura - ao menos tentar, afinal depois de toda aquela bebedeira...

Pausa para procurar duplicatas "desaparecidas"

Voltando...

Por hora vou desistir de tentar me distrair, porque pelo jeito, todos os demais que comigo trabalham, parecem ter lido o referido texto e estão fazendo jus ao mesmo.

Gosh I hate this Business sometimes!

Portanto, eu perdi o "fio da meada", esqueci o ponto que estava tentando chegar e definitivamente, não da para tentar escrever quando todos a sua volta estão vacilando e você precisa ficar como "baba" desses(as) moços(as) porque é seu patrimônio que está em jogo, e não o deles!

Pelo jeito não sei se vou Ter "pique" p/ almoçar...

# Uma versão reggae de "knock knock on the heavens door" que tá rolando no rádio #

sexta-feira, julho 01, 2005

Mom’s Birthday...

Dia 30, aniversário de mamãe.

Essa seqüência de “festas” e afins acabou colaborando para uma semana atribulada...


Hoje aqui no estágio, vejo que foi bom ver que os amigos, todos eles, por mais diferentes que sejam estão ai... Presentes.
Seja para dar um conselho amigo, um abraço tenro ou o mais importante: Fazer Companhia.

Entre os “projetos” para esse ano, estava o de ser mais amável. Aos poucos estou conseguindo colocar isso em prática.
Fui até Santos no Dia do aniversário de mamãe, fazer compras com ela. Programa esse quase que exclusivo do relacionamento entre mãe e filha, mas como sempre tive uma predileção por ela e nossa convivência é mais intensa, acabo fazendo os dois papéis sempre que posso.

Admito não ter a mesma desenvoltura e paciência que minhas irmãs, quando o assunto é provar meia dúzia de pares de sapato e quatro tipos de perfume, para no final levar a primeira opção, mas como diz a frase: “mãe é mãe”... hahaha

Só de pensar que esse Sábado ainda tem formatura do Gugu...
Que Deus nos ajude.

Um abraço e boa semana para todos...

# Barulho de Caminhão na Rua #