São três e meia da manhã e eu aqui, tomado por um sentimento diferente, em face do falecimento trágico de um primo de meu grande amigo bode - que aqui me atrevo a chamar de melhor amigo. Acabei puxando papo com mamãe e dentro de instantes estávamos falando de Bernardo, não eu, mas um filho de uma amiga, que morrera no auge dos seus dezenove anos de forma igualmente trágica em um acidente fatal, e quem inspirou meu nome.
Essa mãe, que vivenciou a provação que mãe alguma quer passar, acabou escrevendo “A BUSCA” – Blanche Charnaux
Comecei a lê-lo antes de dormir, o livro é tão intenso, conflitante e por final confortante, que o cigarro vai se esvaindo por entre os dedos e nem me percebo, passo a tragar as linhas daquele relato tão sofrido, tão vivido, por aquela que apesar de já conhecer pessoalmente é como se agora finalmente tivesse me sido apresentada.
Já são mais de centro e trinta páginas, que passaram como o vento, um furacão de emoções, que me fizeram chorar e derramar lágrimas como há tempos não o fazia, chóro aqui sózinho, padecendo e querendo confortar essa pessoa que mesmo tão distante me parece tão próxima. Suas confissões ainda que ali escritas, são tão sinceras e abertas que percorrem o ambiente como em um diálogo.
A vida inteira soube que meu nome fora dado em “Homage” a essa pessoa, mas foi hoje que me senti ligado a tudo isso. Os personagens se cruzando, a minha realidade com a dele. Diga o que quiser, sempre tive um Quê de Existencialista em meus textos, e não vai ser agora, envolto em tamanha sensibilidade que vou deixar isso de lado.
Ao meu xará dedico essa música que ouço no momento # Mes Jeunes Années - Charles Trenet #
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