Já fui chamado de diversas coisas, entre elas de cínico, metido, sonso, maquiavélico, mas sempre por pessoas que não são do meu convívio, e portanto não me conhecem a ponto de tecer um comentário que efetivamente venha me agredir...
No entanto, outro dia fui “acusado” de ser um cara: FECHADO, distante.
Admito que não sou o cara mais sociável do mundo, nem tampouco demonstro de pronto o que se passa comigo, mas de forma alguma me escondo atrás de algo, a fim de não me expor.
Como prova, vou tentar explicar os meus “motivos” para tal comportamento. Aproveito essa tarde tranquila no escritório, distante de tudo e todos, procurando o sossego perfeito – D2 que me perdoe pelo trocadilho!
Acredito que quando gostamos de alguém ou alguma coisa, nossa tendência natural é a de nos aproximarmos cada vez mais desse objeto... Sempre mais um pouquinho, não é mesmo? Pois bem, esse movimento de aproximação é natural, espontâneo e esperado.
Mas, já prestou atenção ao que acontece quando nos aproximamos?
Faça a experiência aí: olhe para um objeto qualquer, uma caneta, por exemplo. Vá se aproximando dela. Vá trazendo cada vez para mais perto dos olhos...
O que acontece?
Você, no começo, enxerga a caneta inteira e sempre um pouco melhor, mas, a partir de um determinado momento, começa a não enxergar mais o que estava em volta da caneta, só ela, depois nem a vê mais em seu todo, começa a enxergá-la em parte, e essa parte que você vê é cada vez menor, até que vira um borrão que você não compreende e, se continuar a aproximar, machuca a vista, podendo até cegar.
Pois então. Quando nos aproximamos de um objeto qualquer, a partir de determinado momento começamos a perder a visão do todo e, quando não houver mais distanciamento crítico, nem o reconhecemos mais.
Para enxergar corretamente um objeto, precisamos respeitar essa distância mínima necessária. Mesmo que o objeto seja a pessoa amada ou nosso trabalho.
Por isso, em nossas vidas, como tendemos a nos aproximar demais de tudo o que nos diz respeito, acabamos por perder o distanciamento crítico e começar a fazer bobagens, a imaginar que nos misturamos a esses objetos cujos limites não enxergamos mais, a ponto de confundirmos nossa própria identidade com a identidade do objeto, complicando demais, criando problemas e nos afastando das soluções possíveis.
Quem está distante, além de nos ver tropeçando em nossos objetos, ainda enxerga à volta nosso ambiente, e percebe o quanto nossa confusão perturba, o quanto o transformamos num circo ou num hospício, que teimamos em chamar de cotidiano!
Tropeçamos em nossos objetos por horas, dias, meses a fio, a vida inteira e, quando vemos, somos enterrados com nossos problemas e complicações: apenas objetos dos quais nos aproximamos além do distanciamento crítico e com os quais nos misturamos tanto que perdemos a percepção dos limites de nossas próprias individualidades.
Passamos do ponto e começamos a não analisar mais a pessoa, o problema, o emprego, a coisa, mas sim a julgá-los como partes de nós mesmos, e isso não faz o menor sentido para quem está distante. Aí enlouquecemos em nosso “cotidiano”. Normais e insanos, tanto faz.
Portanto, a melhor coisa da vida é manter distância suficiente para não haver fusão, contaminação ou confusão entre nós e todos os objetos que nos interessam.
Como dizem os budistas: exercitar o desapego para conhecer a Verdade e a Felicidade; tomar distância para eliminar a Ilusão e o Sofrimento.
É isso aí, ou quase...
Deixe-me ir que já passou da hora de ir embora...
# Sacred Heart – Richard Schulman #
Um comentário:
credooo....quem t chamou t fechado? entendo td essa sua posicao e jah conversamos sobre isso...tenho 1 pouco disso tb!
msm assim...let it flow!
bjoca querido
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