Longe de ser um grande problema, mas que merecia muita atenção. Depois de muitas noites mal dormidas e de dias não vividos resolvi o problema da forma como fazem os covardes.
Apagando a luz e indo pra cama, ignorando o fato de que para ganhar é preciso esperar pela vitória.
De manhã, acordei, “decidi” que devia fazer mais exercício físico e na hora comecei me imaginando. Fiz varias flexões (mentais é claro) Depois, escovei os dentes, senti o gosto da manhã, vi o sol pela janela, lembrei das recomendações, e decidi sair para olhar o mar.
Fui ao mesmo lugar na praia aonde eu sempre ia antes de surfar, sentei no banco em frente ao mar e tive a “maresia” como meu desjejum. O gosto até parecia café, mas não valia o preço, eram tantas lembranças de dias mais felizes, bem como de outros assim tão tristes, que a nostalgia me pegou.
Sentado lá, com meu jornal, fumei alguns cigarros, li uma entrevista interessante, e evitei ler qualquer coisa relacionada com a política Nacional. Notei com satisfação e certo orgulho algumas fotos, onde reconheci nomes de parentes, toda aquela italianada reunida (como todo italiano, acho que qualquer sobrenome que termine com vogal é parente, portanto não sei ao certo o verdadeiro grau de parentesco).
Saí da praia, parei diante de uma onda imaginária, me atirei nela e voltei por cima do lip (há tempos não pensava em surfe). Daí desci a rua em direção ao escritório, me perguntando o que é que eu ia fazer do resto daquele dia. Mas não tinha nada que pudesse fazer, e assim decidi por fim a minha volta pela cidade.
Nessa mesma noite, sonhei que passava pela avenida da praia em São Vicente, passando pela frente de um prédio com degraus que ainda estavam úmidos, como um registro da neblina da noite passada, e logo pensei nos meus amigos Daniel e Raphael, que eram de lá e ali tinham vivido por boa parte de suas vidas.
Lembrei a noite que Raphael bateu em Daniel porque ele tinha dito algo, que ele se quer se lembrava.
Lembrei de como gostávamos de ficar bêbados e que depois de uma conversa tudo ficava por isso mesmo.
Lembrei daquele apartamento por dentro, como cheirava a cachaça aquele quarto, depois de uma noitada.
Lembrei também de todo tempo que ficávamos sentados na entrada em tardes quentes, jogando conversa fora e lembrando de mulheres bonitas.
Daí tinha o gordo, quase sempre vindo de um bar, uma figura, que parecia não estar nem aí, que fazia uma cara de desprezo cada vez que você o lembrava do quão bêbado ele estava na balada anterior, como se você fosse um idiota por ter perdido seu tempo observando-o naquela noite em especial, tinha também o Japão que sempre tinha um caso pra contar, Cigarros para me “emprestar” e uma revista sensacionalista pra deixar qualquer fulano a par de todas as desgraças.
Então, continuei seguindo a rua, passando pelas horríveis casas abandonadas, e daí até o Bar do Lido, e lembrei como tinha ido lá com a Carla ver uns amigos e tomar todas, como eu me enchi o saco e a gente brigou a noite inteira – Lembrei de como ela era chata, mas por outro lado como estava vestida aquele dia – um vestido curto, e como ouvi berros por causa dele, tantos que acabamos brigando também por causa disso.
Bleah
Assim, agora estava eu lá na Ponte Pênsil, onde os carros na estreita rua mastigavam os ouvidos da gente com tanto barulho, e o cheiro da gasolina deixava triste a vista do horizonte, para mais uma vez a calçada preta ainda úmida da neblina da noite anterior anunciar a chegada de um novo dia.
Podia ter continuado dormindo esse dia para ver onde esse sonho ia dar, ver aquela semana inteira se passando...
Mas já sei extamente o que vai acontecer, como também preciso deixar de acreditar que o que quero não existe, voltar a "sonhar acordado" e parar de perder a hora.
Afinal se sonhar somente enquanto durmo, sempre que acordar não restará nada lá.
# Smashing Pumpkins - Shame #
Um comentário:
Muito lindo, muito tudo.... rs...
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