De repente estava sozinha. O silêncio era quase tão desconfortável quanto o frio que fazia naquela manhã. Ligou o som, um pouco de jazz talvez afastasse o blues atípico que tomava conta de tudo. Olhou pra garrafa de vinho, olhou para o relógio. "É muito cedo para beber". Encheu o copo americano, não tinha ninguém olhando mesmo.
"I only have eyes for you..." Ella, você não está ajudando muito - falava como se alguém a ouvisse.
Começou a pensar em como tudo começou.
Em que momento percebi que ele estava lá? Quando foi? Foi o sorriso? O jeito inocente de encarar a vida? Ou o jeito imponente de mostrar o que é certo? As maõs talvez? Os olhos?
Não era tão fácil. Não conseguia ordenar, enumerar, achar lógica alguma. Não era como dois e dois são quatro. Era muito além do que sua forma racional de pensar poderia explicar.
Mas isso não incomodava. Ela já tinha se deixado levar.
Mas depois de tudo isso, onde ele estava? Como chegar até lá?
Talvez pudesse esperar. Talvez um dia ele a alcançaria.
Mas estava cansada de esperar. Sabia que tinha feito tudo que podia para trazê-lo para perto. Estava feliz por ter se deixado levar, e ter sentido pela primeira vez como é não ter o controle de tudo.
Deu o último gole. Olhou para o telefone.
"Para, para de esperar."
Desligou o som, nada iria afastar o blues daquela segunda feira.
Um comentário:
Now and then, when you stretch yourself life a cat, to put away the sleepy-state of mind - like you usually do - in your couch, or at work, you might have the answers...
Part of the poetry of Life, is somehow only understand what we will, when the matter is already farther than the rescue point... Why?
I guess, in my not humble opinion, that some things we need to understand only, and some others, to live only...
But in the end, you should eat the apples your way, kid...
;)
Longos dias e belas noites...
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