terça-feira, maio 30, 2006

Tive Insônia, Pensei em escrever pro livro, mas no fim deu nisso...

Com tudo que vem acontecendo, fica difícil para a ficção competir com a realidade...


É meu caro, mesmo que o momento tenha passado, e eu nada tenha dito, não posso simplesmente lhe dar as costas, não agora, depois que já aconteceu.

Entendo que até ontem nunca imaginara deixar de viver o sonho em que vivia, é compreensível que não tivesse vontade de acordar, mas a vida a cores (explico depois) é assim, quando você menos espera: "BOOM", tudo vai embora, sem qualquer aviso prévio, sobrando só você e as cartas que nunca mandou, rasgou ou jogou fora...

O feeling não deve ser dos melhores, olhando assim, vejo você como um orfão bem crescido, acho que me lembro dessa sensação, de se sentir só mesmo rodeado de todos os amigos, querendo teimar em continuar vivendo em função daquele nome, ainda que não seja mais seu nem de ninguém...

Uau, com essa acho que voltei uma porção de anos...

Mas, afinal, tudo aconteceu tão rápido. Eu meio que acreditava que crescer seria uma tarefa longa e construtiva, mas parece que no auge dos meus vinte anos tudo já aconteceu; as vezes chega a parecer que tudo e todos que "interagem" comigo desde então são apenas uma distração.

Algumas pessoas nunca superaram os anos setenta, a Ditadura Militar ou o dia em que viram os Beatles tocando de terno e gravata pela primeira vez na TV, e passaram o resto dos seus dias andando para trás; No meu caso, para ser sincero, nunca superei um anúncio de sabonete que assisti quando tinha uns 7 anos. Foi a primeira vez que me interessei por algo na televisão que não tinha uma porção de cores ou uma voz irritante, típica de desenho animado. Não, nada mais importava, as figurinhas podiam esperar o autorama podia permancer desmontado, afinal, eu só me importava com aquelas pernas, era quase uma hipnose, eu ali admirando pela primeira vez toda a complexidade da beleza feminina, todas aquelas curvas, a forma como a água escorria entre os fios de cabelo até descer pelos ombros...

Se você parar para pensar, não deveriam passar esse tipo de comercial durante um programa infantil, mas como o corporativista moderno parece ter faltado às aulas de caráter, foi ali, durante um intervalo qualquer que eu percebi que a vida tinha um porém, e não mais dependia de nossa própria vontade ou da habilidade de persuadir os pais na compra da bugiganga mais próxima, aliás, como nós crianças gostávamos de comprar bugigangas, quaisquer que fossem, sem nem saber se seria realmente divertido, o que de fato dificilmente era, para depois de alguns minutos deixar de lado - Pensando Bem, ao olhar para um desses comerciais do Polishop percebo que não "crescemos" muito nesse aspecto.

Voltando ao meu hiato. Foi naquele momento, com aquela atriz desconhecida tentando vender um bendito sabonete que a figura da mulher entrou na minha vida, não aquela pra quem você corre quando tem algum problema, tampouco a chata da tua irmã, que vive pegando no seu pé por causa do seu medo do escuro, mas a garota com quem conviveu sua infância inteira, mas que agora passou a te dar calafrios e te deixar tão nervoso que as palavras não saem...

As namoradinhas, motivo de piadas ao chegar em casa, os primeiro s insucessos, as grandes conquistas, uns tantos tropeços,.

Até que um dia tudo mudou e deixou de ser um simples jogo, quando tive minha primeira paixonite aguda no momento em que vi seu rosto...

Ainda tenho alguns esboços do que escrevi depois de nossa primeira noite juntos:

- "A vida inteira eu sonhei em preto e branco, mas ontem eu sonhei com todas as cores"...

E foi assim que comecei na dança da vida...

Digo dança porque na minha vida, como num filme, sempre seguiu uma trilha sonora, nessa fase então, eu era o próprio Ennio Morricone!

Algumas de minhas músicas favoritas: "Creep" do Radiohead, "Kissing The LipLess" do The Shins, "Lilac Wine" do Jeff Buckley, "Someone's Else Song" do Wilco, "Another Lonely Day" da Kasey Chambers, "Telegrama" do Zeca Baleiro, "Your Love Is The Place Where I Come From" do Teenage Fanclub, e então veio, "Abuse Me" do Silverchair, "Way To blue" do Nick Drake, "First Of The Gang To Die" do Morrisey, "Último Romance" do Los Hermanos entre outras... Algumas dessas músicas eu costumava ouvir ao menos uma vez por semana, na média (umas duzentas vezes no primeiro mês), desde que eu tinha uns doze, quinze ou dezessete anos.

Alguns me dizem que sou meio maluco, que apesar disso tudo, me tornei uma pessoa fechada e outros tantos clichês que você conhecer.

Mas a verdade é que como poderia não ficar "afetado" de alguma forma? Como saber se isso não ia me tornar o tipo de pessoa suscetível a cair aos pedaços quando o primeiro amor não desse certo?

O que será que veio primeiro, a música, ou a melancolia?

Será que eu escutava música por estar melancólico?

Ou Estava melancólico porque escutava música?

Para falar a verdade, eu já não me lembro...

# My Life Soundtrack#

2 comentários:

Anônimo disse...

Sabe aquela musica do Raul, "Medo da chuva", ....ninguem é feliz tendo amado uma vez....., nao deixe de viver os amores que a vida te traz......
Tristes sao aqueles que tem, ou tiveram apenas um amor....
O que a gente faz com a melancolia????
Brinda!!!!! Um brinde para nos e para aqueles que como a gente, estao ou ja tiveram no fundo do poço....
Cheers my friend!!!!

Anônimo disse...

"...Se por acaso morrer do coração, é sinal q amei d+, mas enquanto estou viva cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz..." by Rita Lee.

É a pura verdade... "Tudo vale a pena qdo a alma não é pequena..."

Ótima reflexão, para variar... Como é bom saber q ainda há pessoas com sensibilidade suficiente para amar, sofrer, aprender, reconhecer e seguir a diante de cabeça erguida, e alma leve apesar dos pesares!!!

Grande Abraço,

Raquel (amiga da Andria)