terça-feira, setembro 13, 2005

CARTA DO ESCRITOR MÁRIO PRATA AO MINISTRO PAULO RENATO.

Nossa...

Já tem tanto tempo assim que não escrevo???

Aff...

Como as idéias custam a voltar, transcrevo aqui essa carta!




"Saber que uma crônica minha foi tema da prova de português num vestibular para medicina
só me envaidece. O ego dá um pulo.Melhor até mesmo que um elogio no The New
York Times (sorry, mas eu tinha de contar).


A crônica imposta aos jovens se chama As Meninas-Moça. Publicaram a danada
inteira e depois fizeram oito perguntas em forma de múltipla escolha. E eu,
que escrevi, que sou o autor, errei as oito. Imagino os meninos e as
meninas, que querem ser médicos, submetidos a tal dissecação.


Fico aqui me perguntando, ministro, pra que isso ? Será que, para cuidar de
uma dor de cabeça, um jovem tem de saber se a minha expressão "esparramados
em seios esplêndidos" é uma paráfrase, uma metáfase, uma paródia, uma
amplificação ou o resumo de um texto bem conhecido pelo cidadão brasileiro
? Com toda a sinceridade, ministro da Educação Paulo Renato, você sabe me
responder isso ? Algum assessor seu sabe ?


A gente educa os filhos direitinho, ensina o que achamos
fundamental.Educação, honestidade, indica bons livros, explica porque o
Maluf é nefasto, pede para ele torcer pelo corinthians, apresenta gente
decente, paga milhões de reais por bons colégios, ensina inglês e até paga
o analista. Para que ele tenha um bom futuro e seja feliz. Meus filhos
sabem, por exemplo, o que é larica. Você também sabe. Mas, para ser médico,
a larica é outra. Veja mais um exemplo da prova : "Larica é larica. Vide
dicionário. " Aí, para ser médico, o jovem precisa saber se esta pequena
frase é poética, fática, metalingüística, emotiva-expressiva, referencial,
conativa ou apelativa ? O que você acha, Paulo Renato ? Eu, (larica à parte
e bem-vinda ), não faço a menor idéia.


Será que não teria sido melhor publicar a crônica (como foi feito) e pedir
para a garotada escrever o que quisesse, o que achasse, o que bem
entendesse do que eu entendi ? Deixar o jovem manifestar a sua opinião,
fazer a garota escrever no lugar de ficar ticando opções fáticas ?


O título da vestibular crônica, já disse, era As Meninas-Moça e eu me
referia ao time feminino de vôlei da Leites Nestlé que ia acabar. Olha o
que eles perguntaram aos alunos, sobre o título :


a - ao usar meninas-Moça, não flexionou no plural o segundo elemento porque
criou um neologismo, processo que não se submete a normas da língua;


b - ao criar um novo vocábulo, não transgrediu as regras de flexão dos
compostos;


c - usou uma flexão admissível porque o segundo elemento é um nome próprio
feminino;


d - ao usar a expressão do composto, violentou a regra da língua que
preconiza, para esse caso, a variação no plural para os dois elementos;


e - usou apropriadamente a forma meninas-Moça, visto que o segundo elemento
tem função apositiva.


O que você acha, ministro ? Eu, fico entre a e b. Mesmo porque eu não tenho
a menor idéia do que seja uma função apositiva.


E você, Paulo Renato, vota em quem ? F, H, C ? Ou A, C, M ? Ou M,E, C?


E agora, meu querido ministro, só para terminar a aula, me diga, nas
expressões abaixo, onde você identifica um exemplo de intertextualidade:


a - "... principalmente o feminino balé de braços, de loiras e altitudes
mim";


b - "Não, leite Moça foi feito para flanar esparramado em seios
esplêndidos, chacoalhando no ar, jornadando até as estrelas";


c -"Aquelas meninas-moças, todas voando pela quadra já fazem parte da
latinha";


d - "Embaixo, está escrito: indústria brasileira";


e - "...que saem de dentro da lata como que convocadas pelos gênios das
lâmpadas que iluminam."


E agora, C, D, ou F ?


Já disse lá atrás, ministro e organizadores da prova, que sinto-me
sinceramente envaidecido com a escolha de um texto meu. Mas jamais poderia
imaginar que, ao escrever uma crônica pensando naquelas coxas todas,
naqueles seios esparramados pelas quadras, ao escrever um texto de olho na
Karin, ao digitar uma crônica preocupado com o desemprego da minha namorada
(que fazia parte da equipe) fosse dar tanta dor de cabeça para dezenas de
milhares de jovens que querem apenas uma profissão digna para enobrecer
este nosso País tão mal-educado.


Quanto às pernas da Karin, ministro, vá de a, b, c, d e fim de papo.


Sacou ?


Mário Prata "

Um comentário:

Anônimo disse...

caralho
perfeito
resumiu
tudo
animal
mario
animal
prata
poesia concreta?
hahahaha