quarta-feira, setembro 14, 2005

No mundo contemporâneo...

Já faz um tempo que tenho mania de começar meus textos acadêmicos com essa frase.

No mundo contemporâneo...

Acho que desde o tempo das aulas do saudoso professor Amir. Que apesar de toda sua experiência e seu estilo peculiar para um professor de redação, se prende em detalhes, e dá valor a essas “baboseiras balzaquianas”. Digo baboseiras porque ao meu ver um simples conjunto de palavras em nada acrescenta, e muito menos substitui a criatividade e a tempestade de idéias num texto qualquer...
Acho que tal mania veio à tona depois de reiteradas tentativas, sem êxito de obter uma boa nota nas redações que o saudoso mestre nos passava. E me exaltava ao ver meus colegas de classe alcançando seus objetivos acadêmicos com textos sem conteúdo algum. A gota d’água foi quando minha mãe, após ler um desses textos compartilhou da minha frustração quanto à nota alcançada.

Tudo isso, para falar do que realmente vem acontecendo nos dias de hoje, a tão aclamada MODERNIDADE. Os tempos modernos, que em função de sua fragilidade cultural e emocional dão valor a tudo que é retrô e ficam se gabando ao relembrar La Belle Epoc.

São tempos modernos admito, de oportunidades fascinantes, onde se encurtaram as distâncias, perdeu-se o pudor, mas que ao mesmo tempo difundiu a hipocrisia de forma exagerada, reprimiu ainda mais os reprimidos e através do capitalismo selvagem, ressuscitou o código de Hamurabi, através das aclamadas “sanções comerciais”, que por vezes, acabam por “escravizar” uma nação inteira.

São tempos curiosos, de certa forma até perigosos, que vem ilustrar, como é complicado modernizar-se.
O cidadão conforme vai evoluindo, cria artifícios para resguardar sua “segurança” e com o passar do tempo, surgem novas atividades que o colocam em risco novamente.
Prova disso são as leis de trânsito;

No começo se limitavam a regrar sobre a direção e velocidade compatível com as vias, com o aumento da popularidade do automóvel, foram criados os semáforos. O que resolveu a vida dos pedestres por um tempo!
Mas nem tudo estava perdido... Criaram a faixa de pedestres!
Admito que foi uma senhora invenção, veio devolver dignidade e segurança aqueles que insistem em transitar a pé.

E agora você deve estar se perguntando, porque crítico os tempos modernos?

E eu lhe respondo com uma pergunta também!

- “Você já tentou atravessar uma avenida movimentada ultimamente?”.

Se a resposta foi não, eu vou ilustrar alguns dos perigos que rondam tal travessia.

Na teoria tudo é simples e perfeito, você aguarda o sinal da via fechar, o de pedestres abrir e simplesmente atravessa. Mas na prática o que acontece não é bem isso...

Supondo que os sinais estejam sincronizados (o que de fato dificilmente acontece), ao tentar atravessar, você tem de esperar por aquele espertinho que acredita que o estágio do “amarelo” vai aguardar mais alguns segundinhos até ele passar.

*A senhora que vem desligada, conversando com a netinha.

*As bicicletas, que parecem vir de todos os lados, e velocidades, que por algum efeito colateral, impossibilitam seus condutores de observar qualquer regra de trânsito, quanto menos um simples semáforo.

Se não bastasse isso, agora surgiram aqueles “animadores de semáforo”, ou seja, sujeitos que se prezam a fazer qualquer tipo de “acrobacias” em troco de algumas moedas e dividem o pequeno espaço disponível na estreita faixa de pedestres.

Agora, recapitulando:

Partindo do pressuposto que você não é daltônico e consegue distinguir entre o vermelho e o verde, com toda sagacidade você começa a sua travessia, após o terceiro passo, você para bruscamente – O sujeito que acelerou para conseguir passar antes do sinal fechar, obviamente não conseguiu e acabou passando a poucos centímetros de você. Superado este obstáculo, de longe é possível avistar a nobre senhora distraída, de antemão você calcula os “quantos vinte quilômetros por hora ela está”, acelera alguns passos, e deixa o carro dela para trás sem dificuldade.

Quando tudo parece estar resolvido surgem as bicicletas, e meu deus quantas delas... São todos os modelos tamanhos e variações, nessas horas o único conselho que posso dar é: não entre em PANICO - o que na prática é bem mais complicado que na teoria.
As Bicicletas vem em todas as direções, e como em Carmageddon: Todas tentam te derrubar.

Como não bastasse, ainda falta desviar dos garotinhos que fazem malabares, e que volta e meia deixam escapar seus bastonetes, tornando você pedestre o alvo perfeito!

Complicado não...

Isso quando não surge o empresário malabarista, que acredita conseguir dirigir, fumar seu cigarro, controlar o rádio e fechar um negócio pelo celular ao mesmo tempo.

É isso ai...

Vivendo e aprendendo.

# Yo Vengo a Ofrecer Mi Corazon – Francis Cabrel & Mercedes Sosa #

Um comentário:

Anônimo disse...

ehhh bernadete...
essas bikes realmente nao sao tao fáceis de desviar nao..ainda mais na China...onde parecemos morar!
o único jeito de dar um fim é cobrar a balsa...hummm sounds a good idea! uahuhahauha
palmas para seus posts!!
bjkas
sua fã
Van Van