sexta-feira, novembro 26, 2010

Dias Melhores...

Dias conturbados ultimamente, sigo buscando e esperando dias melhores. Creio que de certa forma todos procuramos isso...

Olhando para os acontecimentos, blackout, tempestade e os eventos em curso no Rio de Janeiro não é possível se contentar como tudo está se desenrolando...

Chega hora de se perguntar e questionar o nosso estilo de vida, a forma como vivemos, usando e devastando tudo como se não fizesse diferença, até as crianças desenvolvem ganância e seguem querendo sempre mais - valores truncados, vai saber!

Ninguém parece se importar com a indiferença, assistem e escutam passivamente os gritos e clamores das vítimas, transmitidos ao vivo em horário nobre. A bondade perde espaço o mal prospera...

Chego a pensar que já nascemos maus, produtos do meio, amaldiçoados pelo sistema, alguns até amaldiçoam os dias que nasceram.

Adoraria ver o mundo em paz, paz de verdade, regada de bondade e compaixão, não essa baboseira demagoga que se tornou a política atual.

Adoraria dizer que é possível prosperar sem ter de lidar com criminosos e policiais corruptos. Subprodutos do nosso way of living..

Acho que compete a nós, e somente a nós mudar esse quadro. Cabe a nós darmos o exemplo para as novas gerações que cada vantagem indevida que levamos, estamos de alguma forma prejudicando alguém lá na frente.

Quem somos nós para julgar o outro se nos valemos do "jeitinho brasileiro" para escapar de uma multa, sonegar imposto ou conseguir um benefício indevido?

Não assisto mais telejornais, cansei de tantas mortes, tantos funerais e todo aquele rio de lagrimas enquanto faço a digestão do meu jantar.

No começo me comovia, pensava nas famílias, no sofrimento e no que diria se um dia acontecer com alguém que conheço há anos, mas a repetição torna maçante e o que chocava e me fazia refletir, passou a não repercutir, os crimes e mortes se tornaram apenas números e índices como um report da bolsa de valores. Um mero índice de horror, de maldade.

Me recuso a ser assim e abdicar da minha humanidade, quero seguir de cabeça erguida, mantendo a minha fé e rezando por dias melhores...

Voltando aos meus dias de adolescente de quem tinha tudo, trabalhava e torrava dinheiro, quem diria que iria me preocupar com essas coisas

Hoje lutando para pagar as contas e prosperar na minha profissão, como fizeram os amigos que cresceram comigo, eu procuro manter a cabeça erguida e seguir em frente.

Longe de ter inveja ou ressentimento eu mantenho o espírito forte, valho-me de seus eventos, sua felicidade e dos momentos que passamos juntos com fervor e tomo emprestado um pouco das respectivas alegrias, apesar de seguir sozinho e com pouca grana.

Além de tudo que vem acontecendo, outro dia faltou luz, foram mais de vinte horas de blackout até o pessoal da concessionária de serviços públicos remediar a situação, depois veio um vendaval e derrubou e partiu uma dezena de árvores, obstruiu os caminhos, destelhou parte da casa e eu me deparei com uma cachoeira na sala de estar...

Mas nisso tudo eu vi uma família unida, juntando esforços para juntar os cacos, cortar um galho, serrar um tronco e seguir em frente. Tantas bênçãos acontecendo enquanto nos estressamos esperando os dias melhores...

Espero que o Rio de Janeiro, com isso tudo que está acontecendo possa encontrar uma identidade e sentimento de união para sair dessa e dar início à uma série de mudanças e diretrizes que permitam os cariocas e a cidade ser tudo aquilo que tem potencial para ser, uma cidade maravilhosa.

Não me arrependo de nada, sei que parte disso tudo é reflexo das ações impensadas do passado e muitos dos que me adulavam hoje viram a cara, mas não me importo, que se danem, patetas hipócritas.

Prezo as minhas amizades, desde a infância, sempre verdadeiras, solidárias e desprovidas de falsidade. Nos distanciamos em algumas ocasiões, é verdade, mas o vínculo se manteve, never faded...

Não quero parecer pretensioso, tampouco impor uma verdade, afinal tenho minhas falhas, e ainda sou aquele cara desajeitado, que não gosta de dirigir (eufemismo para barbeiro), e que volta e meia derruba o café, mas eu me recuso a ver e aceitar o mundo como está, tão fútil e superficial, por isso busco os dias melhores.

Mando minhas melhores vibrações para a minha turma do Guarujá, o pessoal da faculdade, a galera de São Paulo e para família e amigos do Rio de Janeiro, além daqueles que encontrei e sigo encontrando pelo caminho.

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